A quem estou servindo?

O dilema de um profissional de secretariado geralmente começa seis meses após a contratação. Tempo necessário para conhecer a rotina da empresa e o estilo do gestor. É quando se dá conta de que a cultura exclusivista executivo-secretário ainda reina nas organizações. O diretor quer exclusividade, e as tarefas particulares que executa são verdadeiras vilãs do tempo, chegando a afetar seu empenho, desempenho e motivação para trabalhar.

Enquanto resolve os problemas particulares do gestor, você, profissional de secretariado, deixa de ampliar sua visão sobre o negócio, não agrega valor para a organização, e acaba tendo o cargo e a função afetadas por realizar um trabalho pouco valorizado.

Pergunto: como assessorar alguém com uma visão restrita e desatualizada do papel a ser desempenhado por um profissional de secretariado?

É primordial você estar ciente de que o assessor não trabalha para determinado executivo, mas para a empresa. Você não pode atrelar sua carreira a do gestor. Se fizer isto estará restringindo sua atuação, deixando de pensar junto com o gestor em prol dos negócios.

Conheci secretárias afetadas por profundas crises de identidade profissional em função do tempo excessivo despendido na assessoria particular prestada ao diretor. Profissionais esforçadas, que se capacitaram para avançar profissionalmente, tiveram suas carreiras estranguladas pelo excesso de atividades operacionais e particulares.

Se você trabalha em uma empresa na qual persiste a visão tradicional, restrita ao atendimento telefônico, agenda, arquivos, organização de viagens e a cultura exclusivista “executivo-secretária”, procure se posicionar como um ser pensante, tente estabelecer uma parceria com o gestor. É bem verdade que isso não é tão simples assim. Requer autocontrole, discernimento, ponderação, determinação, disposição para fazer diferente e muita, muita paciência.

Busque mais envolvimento com a área! Dialogue com o gestor! Solicite a ele que lhe delegue mais responsabilidades! Isso valorizará seu potencial e aumentará seu grau de satisfação e desempenho. Imagino que, neste momento, você tenha vontade de estar frente a frente comigo e dizer:

― Uma coisa é falar. Outra é fazer.

Acertei? Você pode ter razão, mas não perderá nada por tentar. Conheço inúmeros profissionais que insistiram e foram bem sucedidas.

Outra situação comum nos escritórios é a persistência dos gestores de não liberar quem assessora para uma reunião ou curso de capacitação com a desculpa de que “ela, somente ela,” tem que estar lá para atender e fazer suas chamadas. Algum gestor já lhe disse que sem você fica perdido, órfão de pai e mãe? Quem já não viu esta cena?

O fato é que o rompimento com o modelo tradicional de secretariar e assessorar requer gestores mais independentes, o que passa pela redefinição de quem cuidará de sua vida particular, fará suas ligações e pegará seu café.

Se realmente houver a necessidade de  alguém que o assessore em assuntos particulares e familiares, a recomendação é de quem assessora seja conscientizado de seu papel no momento da contratação. A descrição de cargos da empresa deve registrar tais particularidades para evitar conflitos com profissionais capacitados para o assessoramento organizacional. A omissão de tais informações certamente levará a uma contratação equivocada.

Como se trata de uma situação delicada, fique atenta na hora de se lançar a um novo desafio profissional e mudar de empresa. Peça para ver as atribuições descritas no cargo. Durante o processo de seleção, encontre um momento oportuno para perguntar sobre o âmbito de atuação do cargo, o envolvimento com a equipe e o estilo de trabalho do gestor responsável.

Se, por um lado, a entrevista de trabalho é o momento em que a empresa contratante avalia se o seu perfil é adequado ao cargo. Por outro, é a oportunidade que você tem de conhecer aspectos do cargo, da empresa e do perfil de quem vai assessorar.

Assim como a empresa opta por lhe contratar ou não, você também tem a condição de aceitar ou não o cargo. It`s up to you…

Fonte:

WAMSER, Eliane. A Secretária que Faz… Nova Letra: Blumenau (SC), 2010, p. 63-65.

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